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Postagens

O Efeito Paliativo e seus Derivados no início do tratamento Psicanalítico

É possível observar um fenômeno singular acontecer, em alguns casos, nas primeiras sessões de psicanálise. É o que chamarei de  efeito paliativo  e seus derivados. O termo paliativo se origina do latim  pallium , que significa “encobrir” ou “amparar”. Quando uma pessoa decide procurar ajuda psicoterapêutica é porque está, via de regra, sentindo-se sobrecarregada de sofrimentos. A tomada de decisão de buscar ajuda pode ativar, de súbito, o  efeito paliativo , isto é, a pessoa pode sentir uma imediata melhora. A crença de que o terapeuta é alguém que lhe ajudará, na medida em que uma aliança terapêutica for construída, parece proporcionar, em alguns casos, a diminuição instantânea do sofrimento, gerando, com isso, alguns derivados desse  efeito paliativo : 1. Efeito Placebo: O termo placebo recebe, atualmente, várias designações. O significado que me valho é o de  disfarce e  dissimulação . É relativamente comum algumas pessoas ...

Psicoterapia e felicidade

Você já percebeu como muitas pessoas sofrem quando se deparam com fortes frustrações. Ninguém concorda, a princípio, com a ideia de que perder seja algo bom. O processo da perda acompanha o ser humano em todos os instantes da vida. Seja em nível fisiológico, social, afetivo ou existencial, essa é uma realidade que o indivíduo precisa aprender a reelaborar em todo o momento, como se fosse uma ordem ou imposição da própria natureza. A necessidade de se reposicionar diante dos problemas que não se escolheu sofrer faz parte do desafio. O corpo que envelhece e não responde mais aos desejos da mente, que, por sua vez, parece estar mais ávida de vida, de paixões e de experiências prazerosas. O corpo que adoece de uma hora para a outra, atrapalhando uma série de projetos e objetivos que ainda precisavam ser alcançados. Os acidentes que assaltam o indivíduo sem explicação aparente, causados, muitas vezes, pela negligência e irresponsabilidade dos outros, ou, simplesmente, ca...

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Temas Filosóficos  cinco lições básicas para curiosos Autor: Tiago Monteiro Violante Valor por unidade: R$ 30,00. Imagem meramente ilustrativa Informações Técnicas: - 112 páginas; - Capa com Laminação Fosca total na frente e Verniz UV localizado; - Formato Fechado: 148 x 210 mm; - Formato Aberto: 296 x 210mm; - Contém orelhas com breve descrição sobre o autor; - Espessura: aproximadamente 1 cm; - Peso: aproximadamente 200 g.

Não, eu não sou ateu.

O ateu que retrato aqui é aquele que possui a crença de que Deus foi criado por motivos subjetivamente humanos. Deus seria, nestes termos, o substituto ou a projeção de aspirações profundas, que partem do próprio desamparo, angústia e desespero humanos. "Uma necessidade de causas", diriam uns; "uma necessidade de pai", afirmariam outros; "quem sabe não seja a projeção idealizada do maior desejo que os mortais teriam, a saber, o desejo da própria imortalidade" -- alguns ainda poderiam pensar.   Mas não, eu não sou ateu. Eu acredito que Deus foi criado por motivos subjetivamente humanos. Deus é o substituto das minhas aspirações profundas, tais como, por exemplo, o desejo de poder, de controle, do necessário (no sentido filosófico)... Deus representa a minha necessidade de causa sui , de pai protetor, de imortalidade... Sim, eu não sou ateu. Um mal na Psicanálise talvez seja alguns psicanalistas, já que est...

"Que a terra lhe seja leve"

Hoje faleceu um grande cachorro amigo. Talvez seja melhor dizer que foi um grande amigo cachorro. Conheci o Coronel em 2006, quando ele tinha 1 ano. Eu e o seu dono fomos morar juntos no ano seguinte. Por cerca de 2 anos o Coronel foi nosso companheiro de todos os dias; o marido da minha cachorra Gaia e pai de seus 5 filhotes . Não havia tido a experiência, até então, de conhecer um cachorro com tais características: lembro, por exemplo, de quando ele levava um bronca e se sentava encostado na parede e com a cabeça levantada; ficava olhando de "rabo de olho" enquanto se escorava. Quando fazia algo que nos descontentava, também assim se comportava. Era tão marcante esta sua característica que, por vezes, transportávamos este comportamento também para nossas vidas, e caíamos na gargalhada em homenagem a ele. Outro traço marcante era a sua mansidão impar. Quando acuad...

O reflexo da filosofia?

O campo do simbólico me constitui. Mas seria possível que ele se auto constituísse? Mais do que possível é, precisamente, necessário que assim o seja. Nesta auto constituição ele procura, ou pode procurar, um fundamento que seja não simbólico. No momento em que este fundamento é concebido, porém, torna-se, logo em seguida, um fundamento simbolizado: o não simbólico pertence ao simbólico na mesma m edida que o impensado pertence ao pensado. Se alguma verdade existe para além do que se pode significar, esta não será encontrada a não ser que carregue em si mesma a indelével marca do significado. Se o simbólico pode procurar o reconhecimento (ou a criação) de um fundamento que o reflita a si mesmo, a presença ou a ausência de um critério seguro para que tal procura se finde só pode ser estabelecida por ele mesmo.   Toda a questão da verdade, colocada nestes termos, só pode ser uma questão restrita ao humano, mas nem todo o humano pode ou deve assumir esta questão como a sua verdad...

Justificação aos estudantes de Artes Visuais sobre os procedimentos da Disciplina de Filosofia

Existe uma relação possível entre os físicos Newton e Einstein: este seria a superação daquele, e se a humanidade ainda insiste em falar sobre Newton, nada mais é do que para assumir seu valor historiográfico e/ou didático numa fase do Ensino Básico. A mesma compreensão não pode ser, no entanto, transportada para a relação entre os filósofos Platão e Foucault. Este não é a superação daquele, nem tampouco Platão poderia ser considerado ultrapassado em relação ao pensador francês, já que em filosofia se avalia mais o poder (onto) lógico do que o poder cronológico das teorias. Se o paradigma einsteiniano compreende e explica os fenômenos que o paradigma newtoniano falhou em compreender, ao ponto de se descartar o valor prático deste em função daquele, em filosofia o mesmo não acontece. Se Foucault constrói conceitos que se mostram importantes na compreensão do contemporâneo, não o faz contra Platão, mas com ele e apesar dele; Platão é a base do contexto pelo qual a trama conceitual é te...

2001 - Bauru, SP

Este foi o terceiro e último quadro que pintei. Utilizei a foto do quadro original, que estava numa revista de arte, e copiei apenas o homem afinando o violino. No quadro original estavam duas crianças ao seu lado, descalças, comendo algo e olhando para o espectador. Como não sabia pintar expressão facial, e isto me incomodava naquela época, acabei por excluí-las da pintura. Se comparado com a obra original, esta "réplica" não ficou muito semelhante, uma vez que adaptei alguns elementos ao tom da liberdade. A escolha deste tema e destes elementos representam bem alguns sentimentos presentes ao longo da minha existência. Sobre a obra original, infelizmente não lembro do seu título e do nome do seu autor, o que, desde já, exige minhas sinceras desculpas.

Perguntas e Respostas: Comunicação do dia 25/10/12

ANPOF 2012 - XV Encontro.

Percebe-se, neste vídeo, a importância e o significado da ANPOF para o desenvolvimento da Filosofia no Brasil. Apareço no vídeo por volta dos 2 minutos mais ou menos (rs). http://vimeo.com/61971374

Confissão Altruísta

Preciso me confessar para ajudar uma pessoa a ajudar outra pessoa da qual tenho uma responsabilidade por mim aceita em completo afeto. Sei que você não tem nada com isto: peço desculpas por incluí-lo neste assunto pessoal e familiar. Mas, o certo é que você tem um papel importante (infelizmente) de testemunha acusadora ou absolvedora. Não necessariamente para mim, mas para esta pessoa que preciso ajudar para que ela ajude quem de fato eu quero ajudar. É claro que, no final das contas, também pretendo ajudar a mim mesmo, já que minha felicidade completa está associada ao exercício deste afeto com esta pessoa que presumo precisar de mim... Veja: preciso de um alguém porque este alguém precisa de mim. Melhor: escolho este círculo (não sei como qualificá-lo) para sentir-me e para exercer-me pai. Você pode pensar que preciso da sua aprovação sobre a minha paternidade. Entretanto, lembre-se: escrevo não porque no fundo penso que preciso de você, mas porque penso que há uma pessoa que precis...

Sobre Platão - A República - Livros II e III - Escolha e Formação dos Guerreiros

Logo após Sócrates ter mostrado os fundamentos, as características e os setores da cidade sã e da cidade não sã, o filósofo passa a se ocupar do critério para a seleção do melhor guerreiro possível e do critério para a escolha do conteúdo e da forma de melhor educá-lo. Este exame se inicia no final do Livro II e se estende à totalidade do Livro III da República de Platão. O guerreiro será escolhido por possuir um caráter filosófico, irascível, ágil e forte. Entendem-se tais características quanto ao corpo e quanto ao espírito. O corpo do guerreiro deverá ser veloz para alcançar o inimigo, forte para vencê-lo e raivoso o suficiente para desempenhar sua função com coragem; o espírito deverá ser manso para com os amigos, rude (irascível) para com os inimigos e deverá possuir uma índole filosófica, isto é, deverá discernir e identificar quem é amigo de quem não o é. Dever-se-á educar o guerreiro na arte da música e da ginástica, respectivamente. Entendem-se por música os discursos q...

Sobre Platão - A República - Livro II - As cidades platônicas: suas qualidades e setores

Platão descreve, no Livro II da República , a origem e a composição de duas cidades: a sã e a não sã (excitada). Duas são as causas que necessariamente unidas geram tais cidades: (1) a impossibilidade de alguém bastar-se a si mesmo; (2) e a necessidade que uma pessoa possui de se juntar com outra para um determinado emprego. A cidade sã é aquela onde se unem ambas as causas com a finalidade de se preservar a espécie e a vida humana – finalidade que se apresenta como necessidade básica de alimentação, moradia e vestuário. Por sua vez, a cidade excitada é aquela onde se acrescentam o luxo e o conforto como metas a serem também conquistadas. O inevitável aumento territorial e demográfico de tais cidades é gerado quando estas duas causas são associadas ao princípio, também defendido por Platão, de que a natureza não fez todos os indivíduos iguais em aptidões e que se torna impossível um único indivíduo executar satisfatoriamente vários ofícios ao mesmo tempo. Com esta associação ...

Sobre Platão - A República - Livro II - Fundamentos da cidade e a arbitrariedade socrática

Após Glauco e Adimanto terem, respectivamente, elogiado a injustiça e a aparência de justiça, ambos solicitaram que Sócrates investigasse e dissesse qual a natureza da justiça e quais os bens que ela causa na alma de quem as possui, considerando-a apenas em si mesma e não em suas consequências externas. Sócrates suspeitou, por sua vez, que ao se descrever o nascimento de uma cidade, poder-se-ia observar a justiça e a injustiça aparecendo nela também, e, consequentemente, vendo a justiça num plano maior, como na extensão de uma cidade, poder-se-ia, na sequência, visualizá-la melhor no plano individual, isto é, na alma de quem a possui. Sócrates parte de duas causas para o nascimento de uma cidade: a impossibilidade de um indivíduo bastar-se a si mesmo e a necessidade que sente de várias coisas. A união de ao menos dois indivíduos é a procura da realização de um determinado emprego, isto é, da realização de certa finalidade desejada e buscada por ambos, para o benefício e o prov...

Sobre Platão - A República - Livro II - A aparência como caminho à felicidade, segundo Adimanto

No Livro II da República de Platão, depois do discurso do Glauco defendendo a natureza e a origem da justiça, e o porquê a vida do homem injusto ser superior à do homem justo, Sócrates passa a ouvir o discurso do Adimanto, irmão do Glauco, que pretende completar o ponto essencial que este teria omitido. Adimanto procura completar o discurso do seu irmão no que se refere ao poder da aparência para se ter uma vida feliz. Segundo este orador, aqueles que recomendam às pessoas que sejam justas pensam e desejam, no fundo, apenas os benefícios e a reputação que a aparência de justiça causa àqueles que a tem. Mesmo entre os religiosos gregos pode se encontrar os que defendem os benefícios oferecidos pelos deuses àqueles que aparentam justeza. Há também os defensores, entre os povos e os poetas, de que a justiça é boa mesmo sendo difícil, enquanto a injustiça é vergonhosa apesar de fácil domínio e de ser agradável. Dizem eles que a aparência violenta a verdade, ma...

Ceebja Londrina - Teatro - "O inferno são os outros"

Estou postando aqui, apesar da baixa qualidade da imagem e do áudio (gravado a partir de um telefone celular), o teatro que realizamos em novembro de 2011 no Ceebja Londrina. Esta peça foi uma adaptação da obra  Huis Clos , do filósofo francês Jean-Paul Sartre, comumente traduzida e conhecida no Brasil pelo nome  Entre quatro paredes . É desta famosa obra que ouvimos Sartre dizendo "o inferno são os outros", frase que deu origem ao título desta apresentação. Agradeço às calorosas participações das alunas envolvidas, Sônia, Vânia, Inês e Rosângela, que por vezes ensaiaram aos sábados no "buração" da Vila Portuguesa, com a minha participação e da minha mulher.