17 de novembro de 2014

O reflexo da filosofia?

O campo do simbólico me constitui. Mas seria possível que ele se auto constituísse? Mais do que possível é, precisamente, necessário que assim o seja. Nesta auto constituição ele procura, ou pode procurar, um fundamento que seja não simbólico. No momento em que este fundamento é concebido, porém, torna-se, logo em seguida, um fundamento simbolizado: o não simbólico pertence ao simbólico na mesma medida que o impensado pertence ao pensado. Se alguma verdade existe para além do que se pode significar, esta não será encontrada a não ser que carregue em si mesma a indelével marca do significado. Se o simbólico pode procurar o reconhecimento (ou a criação) de um fundamento que o reflita a si mesmo, a presença ou a ausência de um critério seguro para que tal procura se finde só pode ser estabelecida por ele mesmo.
 
Toda a questão da verdade, colocada nestes termos, só pode ser uma questão restrita ao humano, mas nem todo o humano pode ou deve assumir esta questão como a sua verdade. É sempre possível conceber uma região simbólica que não necessite se dar ao modo reflexivo, entendendo este termo como a necessidade de procurar um fundamento de si mesmo. A filosofia é, portanto, apenas uma necessidade (ou exigência) criada (ou sentida) simbolicamente por uma cultura para responder a uma questão que esta mesma cultura se colocou: como é possível ser o que se é? Esta questão foi e continua sendo, a meu ver, a questão fundamental daqueles que necessitam compreender a própria existência sob a égide de um critério tido como, no mínimo, logicamente seguro para o discurso. Talvez, por isto mesmo, ela represente como ninguém mais representa a busca pela verdadeira (e não a mais bela) imagem de si.

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